domingo, 2 de fevereiro de 2020

Hora de virar a página

Tem dias que eu sinto a maior falta disso aqui.
Pode ser antiquado, ultrapassado, afinal de contas, quem lê blog quando se tem Instagram e textos de minutos?
Porém, o que eu posso dizer? Eu sou velha. Repeti isso algumas vezes nos últimos meses e é verdade.
Eu escrevi o texto abaixo há mais de 1 ano e nunca publiquei. O motivo? Sabe Deus. Estava tão ocupada com tanta coisa que esqueci de fazer coisas que eu gosto. E tudo bem. Hora de virar a página e fazer diferente.
Então vamos ao que interessa?
A vida é feita de altos e baixos, não é mesmo? E a vida de músico é a mais maluca do que qualquer outra. Sério, é o que eu acho.
Rodar horas a fio, investir tempo, dinheiro e saúde para subir ao palco não é para qualquer um. Sacrificar a vida pessoal e algumas vezes a família é o preço da profissão.
Por outro lado, rende histórias e composições memoráveis. E foi em uma dessas composições memoráveis que surgiu a música tema dessa postagem, a "Turn the Page".
Escrita por Bob Seger em 1972 durante a turnê com Teegarden da dupla Teegarden & Van Winkle, lançada em 1973, ela narra a montanha russa da vida na estrada e dos momentos muito loucos que só quem é um viajante sabe, como a história dessa composição. Ele conta a história de ter parado em uma desses locais de descanso de caminhoneiros. Eles tinham viajado a noite toda durante um tempo horroroso e pararam para abastecer. Ouviram os caminhoneiros rindo, se perguntando se eles era "um homem ou uma mulher". Mais um dia comum na estrada antes de um show, porém, dessa vez veio a necessidade de descrever essas cenas em uma música. Cômico, se não fosse trágico.
A música rendeu inspirações à Jon Bon Jovi para compor Wanted Dead Or Alive (olhaí Alexandre Savoia) e para Bruce Springsten com a música Youngstown, mas na real a música tema dessa postagem é lembrada na célebre regravação do Metallica no álbum "Garage".
Graças a essa música, Metallica ficou no topo da parada Mainstream Rock durante 11 semanas em 1999.
Viver coisas loucas faz a gente ter história para contar. Para alguns rende um sucesso de quase meio século, uma música que é lembrada por grande parte dos apreciadores de rock. Além disso, lembra que muito embora o ocorrido de ontem, tem uma hora que é tempo de ir em frente e virar a página.

Onde você pode escutar a versão original:

Onde você pode escutar uma bela versão ao vivo do Metallica: 


quarta-feira, 7 de março de 2018

Através do universo


Daqui a pouco eu vou pedir música no Fantástico. Mas pouco importa, pois um sir é um sir, além do mais a música é um sucesso.

Sim, Elton John de novo. Fazer o que se o cara é uma máquina de hits.

Pegando ainda a "vibe" de falar do espaço (postagem que você confere nesse link aqui http://nemcincominutosguardados.blogspot.com.br/2018/01/eu-sempre-estive-em-casa.html?m=1), eu divido com vocês o que levou Sir Elton a escrever Rocket Man (I think it's going to be a long long time).

A música 'Rocket Man', que faz alusão ao lançamento da nave norte-americana Apollo 16, é baseada no conto "The Rocket Man", do livro The Illustrated Man, de Ray Bradbury e traz de volta o tema da música Space Oddity, que David Bowie compôs em 1969, mas isso é outra história. Pra agora vamos focar nessa aqui.

A letra da música teve participação de Bernie Taupin, amigo de longa data de John e ele descreve os sentimentos de um astronauta em Marte que deixou a família pelo trabalho. Cotidiano nosso de cada dia, não é?
Na verdade muita gente pensou que a composição teve como inspiraçao Bowie, o que não é verdade e ele veio a esclarecer posteriormente.


Com polêmica ou sem polêmica, a música foi um grande sucesso, se estabelecendo com o 2 lugar na Inglaterra e 6 dos Estados Unidos em 1972.

Aos amantes de Star Trek, vai uma dica das boas. Em 1978, a música foi declamada em forma de poema pelo famoso ator William Shatner, enquanto fumava um cigarro. Vale uma pesquisada no YouTube e um comentário depois, vai?

Pra hoje temos o universo, após um longo, longo, tempo.
Onde você pode ouvir: Honky Château , de 1972

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

E tem muito amor sim!

Não podia não falar da minha cidade bem no dia do aniversário dela.

Tem um mundo de músicas que falam de São Paulo. Umas falam bem, outras falam de como é morar aqui, outras falam das adversidades daqui.A música que eu escolhi provocou uma série de discussões sobre a cidade ter ou não amor. Eu mesma fiquei bem revoltada na primeira vez que li o título da música.

Ao escutar, tive a impressão de ver vários pontos estranhos da cidade, mas também a contradição, pois por mais “babilônica” que parecesse, ela mostrava a beleza e as peculiaridades dos cidadãos.

O Crioulo mesmo teve a oportunidade de explicar que não se tratava da falta de um amor romântico, mas sim da falta de amor da cidade para com os que moram aqui. E ainda bem que existe amor em SP, pois são esses cidadãos que são subjugados que trazem esperança e amor pra cá.

Pra entender melhor do que se trata a poesia dessa música, segue um trecho de uma entrevista do Crioulo, nascido e criado no Grajaú, explicando sobre essa bela música:

Não existe amor com o que a cidade faz com seus cidadãos. Mas todos os dias, os cidadãos da cidade de São Paulo estão levando amor, em todos os cantos. Para a sua comunidade, para os seus filhos, para os seus amigos, em suas pequenas ações políticas de dar um “bom dia” para uma pessoa, passando uma energia positiva para ela, até situações que mexam com cada peculiaridade de cada lugar da nossa cidade. Então essa canção é um grito pra valorizarmos o amor desses heróis anônimos que existem em cada canto da cidade, sobretudo nos extremos, que estão pregando a paz através de ações sociais, atividades políticas e artísticas. Hoje, mais do que nunca, nós vemos as cores nos muros, em todos os lugares que vamos nós vemos grafites belos, muitas frases fortes, remetendo à reflexão.

Eu vivo em uma cidade que é caótica, violenta, barulhenta, cheia de prédios e poluição. 
Por outro lado, eu vivo numa cidade onde você encontra QUALQUER coisa a QUALQUER hora do dia. É a cidade que nunca dorme. 
Ela recebe migrantes, imigrantes, seja para trabalhar, seja para se divertir. 

A grande verdade é que só quem é paulistano (por amor ou “de nascença”) entende a dinâmica da cidade, adora esse jeito caótico de viver e tem esperança que cada um possa trazer mais amor para SP, pois existe sim amor em SP.

Ouça aqui essa ode à São Paulo.
Você pode encontrar essa música no álbum Nó na Orelha, de 2013.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Eu sempre estive em casa

Cabou a mamata, chega de férias, bora trabalhar!
2018 começa e com ele as promessas de final de ano. Dica da semana: Já sabe as suas promessas né? Legal, agora tente cumprir. Batalhar por metas é bom para nossa realização pessoal, aquele sentimento de que consegue alcançar algo. No fim das contas, se tudo der errado, você sabe onde parou e como voltar.
E a música de hoje fala justamente sobre voltar para casa, para os seus, que sempre vão te dar apoio.
Jason Mraz (sim, ele não só fez a Lucky e a I’m Yours, na verdade ele tem alguns hits) escreveu uma música chamada 93 Million Miles. A referência aqui é a distância da terra para o sol. Na sequência, ele faz referência da distância entre a terra e a lua e nossa localização geográfica no sistema solar. Sabia dessa? Não? Nem eu! Viu? Esse blog também é cultura! 
Existem várias passagens com referências às jornadas que a gente percorre durante a vida e também àqueles que nos apoiam: nossos pais. 
O Jason Mraz explicou em uma entrevista o significado disso tudo
 “Eu queria criar uma música que reconhecesse que a casa é onde o coração está e cabe a você decidir”
Então para você que está muito longe de “casa”, que foi morar em outro país, estado ou mesmo está viajando o tempo todo, não importa onde você esteja no planeta, você pode chamar esse lugar de casa. 

Além disso, não importa o quão longe você está, se você sente que aí não é sua casa, então volte. Parafraseando a música, você pode sempre voltar para casa.
Onde você pode ouvir: Love is a four letter word - 2012

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Sobre verdades

Mais uma semaninha que se passa e hoje tem post para alegria geral da nação \o/

Para hoje temos uma história sobrenatural interessante, que resultou em uma composição do servo da rainha mais conhecido do mundo: Sir Elton John. Dispensa maiores apresentações, eu sei, mas não custa reforçar que cinco prêmios Grammy, cinco Brit Awards e é o único artista que até hoje conseguiu obter seis lançamentos consecutivos no primeiro lugar da Billboard #pegaessaentão
Fato que toda essa sensibilidade e talento se manifesta de maneiras, como dizer, um tanto obscura. Em uma entrevista, Elton disse que compôs a música “Song For Guy” em um domingo e ele imagina que estava flutuando no espaço, olhando seu corpo.
Ele escreveu essa música justamente pensando no que grande parte dos seres humanos teme ou tem curiosidade: a morte. Ele se sentia obcecado por esses pensamentos de morte e uma frase que se repete ao longo da canção: a vida não é tudo.
No dia seguinte, ele foi informado de que Guy Burchett, office boy da gravadora na qual ele trabalhava, com apenas 17 anos, tinha falecido tragicamente em um acidente de motocicleta no dia anterior. “Guy morreu no dia em que escrevi essa música”, relatou Elton.

Saíram algumas lendas – não comprovadas – sobre a morte de Guy e a composição dessa música. O fato é que talvez ele tenha tinha uma premonição do que viria pela frente ou uma triste coincidência, mas uma coisa é para se pensar com carinho: a vida terrena é muito curta.

A Single Man - 1978

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Que hino... que hino!

Para hoje temos um hino da resistência, da fênix que cada um tem dentro de si.

Composta no final dos anos 70 por Freddie Perren e Dino Fekaris, I Will Survive não era considerada uma boa aposta. Ela não tinha as características de uma música Disco, com vários vocais e recursos. Era algo mais “clean”.

Já a interprete da música, Gloria Gaynor, que estava vivenciando momentos difíceis, como a paralisia por conta de uma queda que teve durante uma apresentação e o falecimento recente de sua mãe. Temia por sua carreira e não sabia se teria seu contrato com a gravadora renovado. Os compositores da canção ligaram para ela certo dia e fizeram a pergunta do milhão: que tipo de música você quer para o lado B do seu disco? E ela respondeu: “uma que atinja o coração das pessoas e que seja importante para elas”.

Apresentaram então a melodia e ela gravou. E virou sucesso, hit, rendeu o único Grammy da música Disco e se perpetuou em outras tantas regravações em diversos idiomas (até em turco minha gente!). Glória ainda escreveu um livro chamado “We Will Survive”, no qual conta histórias de pessoas cuja vida mudou graças à canção.

Falando em atingir pessoas, a comunidade gay se apoderou da canção, fazendo-a um hino de resistência. As mulheres adotaram-na também, pelo viés de libertação e independência que a música oferece. Recentemente, 21 atores de Hollywood gravaram suas vozes para se manifestarem contra o então novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E viva la revolución!


O início dessa música conta a história de uma pessoa que foi abandonada e dos dias de sofrimento que então se seguiram. Até aí, normal. A virada de chave que é o ponto alto da música: a volta por cima. Mostra que todo mundo é vulnerável, mas passa. E depois que passar, por favor, não perturbe. Nunca mais.

Versão da Gloria Gaynor, de 1979
Mas...
Eu gosto mesmo dessa versão aqui:
Pegada rock-revoltada-irônica (trocar o stupid por f*&¨% lock foi A sacada).

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Aleluia!

Tem história para contar? Tem!
Agradeço você que está aqui, firme e forte, lendo esse blog que criou pó, teia de aranha e outras coisas medonhas que a mente humana pode imaginar. Ele estava lá, no fundo da gaveta do armário do quartinho da bagunça, esperando seu momento de voltar a produzir.
Eu sou uma contadora de histórias, graças a Deus. Portanto, eu decidi que este blog vai virar um “Pokémon” e vai evoluir! A partir do próximo mês teremos um canal no Youtube e euzinha aqui farei uma resenha do que eu conto lá com detalhes. Tudo em prol de eternizar belas canções.
Mas além de contar o que muita gente quer saber, eu quero expressar o que eu penso sobre o tema da música. Como uma andorinha só não faz verão, eu conto com a colaboração dos leitores para uma discussão saudável.
Sem mais delongas, habemus postagem.
Aconteceu algo bem legal no dia de hoje. A empresa para qual trabalhou publicou uma matéria sobre dois cantores amadores: o Carlos e eu. 
O Carlos canta divinamente! Que orgulho estar na mesma matéria que ele! Preciso, inclusive, agradecê-lo, pois a inspiração da postagem de hoje partiu da música que ele cantou: uma versão de Hallelujah, de Leonard Cohen.
Se você por um acaso do destino não ouviu na trilha sonora de uma das centenas de produções para TV e cinema, por favor, pare o que está fazendo e vá ouvir. A música conta com inúmeras versões (em 2 anos somou 39 versões diferentes), levou anos para ser concluída, sendo a mais consagrada versão com 04 estrofes fixas e 03 adicionais, devidamente combinadas por quem canta. Inclusive, tem diversos intérpretes, o mais conhecido é Jeff Buckley. É emocionante o poder dessa música.
Pouco antes de falecer, o autor da obra disse que sentia que ela era reproduzida excessivamente. Temia a exaustão, mesmo sendo o ponto alto de seus shows. Em pensar que em seu lançamento em 1984 para o álbum Various Positions nenhuma crítica publicada na época sequer mencionou a canção. Para falar a verdade, nem a gravadora acreditava na música. Uma heresia!
Repleta de menções as histórias da bíblia, a música traz reflexão sobre o que você é, o que você sente, o que espera dessa vida (e porque não de outras vidas). Acreditar no que não faz sentido, no invisível... é um desabafo, um alívio, tão reconfortante como um grito de aleluia.

Onde ouvir: escolha a versão que te faça sentido, pelo cantor que fale com você. Se quiser a original, está no álbum Various Positions, de Leonard Cohen, 1984.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

terça-feira, 16 de junho de 2015

Sobre janelas e portas


É isso ai

Não vou ficar explicando o motivo da ausência neste blog, mesmo porque não sou o foco desta joça. Me limito a dizer que foram dias de luta.

Uma novidade que posso adiantar é que mudei um pouco o foco das publicações. Muitas vezes me deparei com histórias interessantíssimas sobre artistas, discos e afins, portanto, quero compartilhar mais do que o porquê da composição. Quero exemplos (parafraseando o Datena "quero imagens") de como muitas coisas dão certo, mesmo parecendo erradas. E é essa a história de hoje. Algo negativo que se tornou (muito) positivo. 

Tem quem o odeio, mas Sam Smith é o cantor britânico com um belo timbre do momento e portador de um coração partido.  Até aí, mais do mesmo, afinal vários poetas e compositores tiveram composições geniais por conta da "dor de amor".

Porém, poucos deles levam 4 Grammy's por isso. Pra você que não sabe o que é um Grammy, eu vou explicar. Sabe o Oscar? Então, é isso, só que para músicos. Tem gente que cortaria um dedo por isso, sabia?!

Porém, não são de dedos que trata este texto e sim de como coisas ruins podem se tornar boas. Sam, homossexual assumido teve uma "janela" no meio de tantas portas fechadas. Ao receber o último prêmio, ele disse: "Obrigado ao cara que partiu meu coração, você me deu quatro Grammys".

Portanto, sugiro uma reflexão acerca dos episódios "sarcásticos", "tenebrosos", "injustos" de sua vida e pense se no meio de tanto dissabor, há uma saída de mestre.



I'm not the only one - Sam Smith
Disco: In the Lonely Hour - 2014

segunda-feira, 9 de junho de 2014

E meu medo maior é o espelho se quebrar

Não vou mais me desculpar e fazer juras de amor eterno à este blog. Sumi mesmo. Passei por lições nestes meses, praticamente provas de fogo. Deus anda brincando no "mode hard" quando se trata de minha vida. Novela mexicana, costumo dizer, e penso que o Homem tem uma criatividade absurda.

Dia 15 fará 01 mês que minha avó foi-se deste mundo. Dias de luta... Lembranças que os meus vinte e oito anos nesta casa convivendo com ela me traz dia após dia. Do "cheguei vó!" até o "lembrou que tem vó?".

Não se enganem... ela não era um doce de candura. Muito autoritária, muito negociadora, muito firme, teimosa como todo bom italiano deve ser. Ao mesmo tempo, dependente emocionalmente, beirando ao mimo de uma criança.

Minha avó me trouxe lições de vida, contou-me histórias fantasiosas de seu passado, me defendeu por várias vezes e fez minhas vontades, sendo eu a vecchiaia. Irônico não?

Os dias não ficaram mais fáceis depois de sua morte. Agora não tenho a verdadeira vecchiaia para tirar o medo. Troco de mal com Deus várias vezes por ter levado a pessoa que mais amou a vida e viver.

Este texto não é leve. Não é alegre. Não é colorido. É um cinza... cinza de saudades. Não espero pêsames, espero entendimento da vida. Te entendo João. Sei que o que te levou a escrever "Espelho", em conjunto com Paulo César Pinheiro, foi o seu velho pai, boas lembranças, uma autobiografia... memórias de um jogador que chutou mal e machucou o dedo de verdade, mas não tinha mais quem o amparasse.

Faz parte do jogo. As vezes saímos de um campo, para vencer em outros. João fez isso. Deixou de ser futebolista e se tornou um excelente cantor/compositor. Vai ver que é isso que me espera. Só espero que meu espelho nunca venha a se quebrar.


Coloquei Diogo Nogueira, tendo como fundo imagens de seu pai, João Nogueira. A canção pertence ao álbum Espelho, de 1977. Minha recomendação é: ouça com atenção, tanto pai, como o filho cantando, é impressionante a semelhança em algumas estrofes.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Querida, cheguei!

É isso aiiiiiiiii, Estou de volta ao comando de novo.

Sim, após um longo e tenebroso período, eu decido voltar a escrever para o meu bom e velho blog.

Explicando rapidamente o que houve, posso dizer que no meio do caminho tinha uma pedra. Uma pedra, um exame da OAB, um cursinho, um trabalho que exige minha atenção, uma desapropriação, um monte de coisas, portanto não foi de propósito o abandono.

O lado bom é que após a tempestade, veio a garoa - se engana quem pensa que estou na bonança - e com ela tive a oportunidade de rever conceitos, valores e atualizar velhos hábitos, sendo um deles ficar fazendo porra de coisa nenhuma, rodando canais na TV, indo ao cinema, vendo seriados e documentários (na maior parte banho de sangue de um dos canais do Discovery), mas o que me trouxe o maior regozijo foi voltar com a minha banda. Ano novo, formação nova.

A banda me obrigou a voltar ouvir músicas e procurar versões. E estava eu, em um dos meus momentos de "descontração", vendo um dos seriados da super-tv-a-cabo-que-tem-várias-opções (só que não) e consegui achar um programa que se salvasse: a série que conta a vida de Bonnie e Clyde.

Sabe quem é a dupla Bonnie e Clyde né? Aqueles que aterrorizaram os Estados Unidos na década de 30... Não lembrou? Veja aqui então.

Enfim, não é o foco. O que me chamou a atenção neste seriado, além da bela produção, foi a música tema. Bang Bang (my baby shot me down). Fiquei abestalhada, como diria o grande Tiririca ao saber que a música tem uma das interpretes mais peculiares da cena musical: a Cher. 

Dizem que se houver uma guerra nuclear quem sobreviverão serão as baratas e a Cher, que, venhamos e convenhamos já passou por umas poucas e boas, inclusive com esse marido, autor da música, maaaassss isso também não vem ao caso.

Voltando de novo ao assunto, a bela canção foi escrita por Sonny Bonno (que Deus o tenha em seu santo descanso) teve sua primeira interpretação com a fênix da música pop, em 1966. O sucesso foi tanto que no mesmo ano foi regravada pela filha de Frank Sinatra, Nancy.

E como se não bastasse o sucesso de 66, a música teve interpretações de outros grandes nomes das antigas e da atualidade, com versões em vários idiomas (versão em Romeno tá bom pra você?). Esse ano teve mais uma regravação (e remixagem), por David Guetta com Skylar Grey (gravem esse nome, por que a moça canta e compõe horrores), além de já ter sido utilizada em filmes como Kill Bill de Quentin Tarantino e Zodíaco de David Fincher.

A música vem dramatizando e transbordando emoção há décadas. Você ouve, sente a pancada da bateria. Na sequencia, sente esvair em sangue, vai desfalecendo com cada acorde da guitarra e a batida do baixo. É ser deixado, sem aviso. É como um tiro bem no meio do coração... um estampido... É um "bang bang".

Em qual disco você pode achar (entre tantas versões): Bang Bang (My Baby Shot Me Down) de Nico Vega - 2013

sexta-feira, 26 de abril de 2013

De médico e louco, todo mundo tem um pouco


Após 1 mês, o blog que cheira a mofo quando abre na tela do seu PC recebe um texto mediano desta que vos escreve.

Agora que acabou um pouco aquele “mimimi” da morte do Chorão, eu vou escrever sobre uma música do Charlie Brown Jr – não, não é Céu Azul - banda que representou o rock nacional por um bom tempo, quer você queira, quer não. Não seja hipócrita ao dizer que nunca gostou de uma música dos caras.

Posso não concordar com o comportamento, mas nada impede de que eu reconheça de que ele tinha uma percepção e um dom incrível para escrever. A experiência do Chorão em 2005, após um culto evangélico fez render um dos maiores sucessos do disco Camisa 10 Joga Bola Até Na Chuva (vamo combinar que o nome do álbum é sensacional também), a "Só os Loucos Sabem", onde ele tentou aprimorar sua percepção sobre o sentimento de união e de amor.

Pior que assim, ouvindo novamente a música após realizar a minha pesquisa eu entendi a letra. Antes pra mim era um monte de frases desconexas, que traziam mensagens bacanas, mas que no fundo não diziam nada com coisa nenhuma.

Sem blá blá blá gente, é sério. Quem frequentou alguma vez na vida uma igreja e similares vai entender o que eu estou dizendo. Você se sente acolhido, querido, fazendo parte de algo e honestamente, às vezes é tudo que o ser humano precisa. Buscar o sentido das coisas e da vida não é tarefa fácil, mas não custa tentar e, via de regra, você tenta fazer isso através de Deus ou da religião (ou de um psicólogo, se você é mais “Cult”).

Mesmo assim, ele assumiu que ainda não estava pronto para algumas coisas, que um dia chegaria lá e foi embora, depois de muito ouvir e observar. Passam-se dois anos e no Citibank hall lotado, onde acontecia a gravação do primeiro DVD da Igreja que ele foi e na mesma noite um cd ao vivo do Rodolfo (ex Raimundos, evangélico convertido, lembrou?) ele teve a oportunidade de viver algo - que eu julguei muito bacana pelo menos – que ele colocou na música. Segue o relato do pastor, da conversa que teve com o Chorão naquela noite:

"Pastor, da primeira vez, no litoral, estava com os dois pés atrás, hoje com os dois na frente... Estava me sentindo uma formiga, depois de receber o carinho do povo, estou me sentindo um elefante." Me lembro de ter dito: "Você é amado", ele continuou: "Dá parabéns para sua esposa, lembro dela de Santos, as músicas dela me tocaram"... E ainda: " Tô chegando pastor, minha fé hoje é viva..." Depois de um tempo, ele nos avisou que havia feito uma música com base no que viveu naquela noite, era o lançamento de "Só os loucos sabem".

Dá coragem ter a sensação de uma “rede de segurança” amparando você para se jogar. Denomine a sua rede de segurança como quiser, tem gente que chama de Deus, Buda, Maomé, Cristo, Yeshua, Jesus ou simplesmente acredita no que não vê. Mas isso meu caro amiguinho, só os loucos sabem o que é. 

                           Em qual disco você pode achar: Camisa 10 (Joga Bola Até na Chuva) - 2010

quinta-feira, 21 de março de 2013

Mudaram as estações


E chove em São Paulo... Eu não sou dada a tempo chuvoso, nublado, cinza e frio, mas eu consigo conceber a necessidade deles – principalmente após o calor do Senegal que fez nessa terra em que vivo – e da sensação de encerramento de um ciclo e início de outro.
E toda vez que chega março eu lembro das águas de março que fecham o verão e que trazem a promessa de vida no seu coração. "Águas de março" foi composta por Tom Jobim em março (meio que óbvio) de 1972. O tema começou a ser trabalhado ao violão em seu sítio do Poço Fundo, em São José do Vale do Rio Preto, região Serrana do Rio de Janeiro – que vamos combinar, chove pra caramba – e de acordo com depoimento de Thereza Hermanny, esposa de Tom à época, a inspiração para "Águas de Março" surgiu ao final de um dia cansativo de trabalho provocado pela composição de "Matita Perê" (futura parceria com Paulo César Pinheiro), de onde decorrem os primeiros versos "é pau, é pedra, é o fim do caminho".
Tom, ainda de madrugada, bateu na janela e acordou a irmã Helena e o cunhado para lhes mostrar o primeiro rascunho da letra, com a introdução e as primeiras frases, escritas a lápis em um papel de embrulho de pão. Não surpreende que em um primeiro rascunho da letra contivesse um grande número de referências pontuais: "o projeto da casa", "a viga", "o vão", "a lenha", "o tijolo chegando", "o corpo na cama”, ou seja, a pura preguiça (no bom sentido).
De volta ao Rio de Janeiro, concluiu a canção em uma tarde. Assim que a terminou, Tom passou no Antonio's, um restaurante que frequentava e convocou todos os amigos que ocupavam a varanda para ouvirem, na sua casa, a música nova.
Segundo consta, a canção teve duas grandes fontes de inspiração. Uma é o poema "O caçador de esmeraldas", do poeta Olavo Bilac ("Foi em março, ao findar da chuva, quase à entrada / do outono, quando a terra em sede requeimada / bebera longamente as águas da estação (...)") e a outra é um ponto de Umbanda, gravado com sucesso por J.B. de Carvalho, do Conjunto Tupi ("É pau, é pedra, é seixo miúdo, roda a baiana por cima de tudo").
E no fim é uma reflexão para o fluxo da vida, do ano, dos meses... Quer representação de transformação maior que as estações do ano? Num momento filosófico me atrevo a dizer que a vida é uma estação mesmo... tem um período seco, árido, depois uma tempestade, umidade pra no fim poder renascer saudável, mais uma vez.
Em qual disco você pode achar: Elis & Tom (1974)

domingo, 10 de março de 2013

Qualquer semelhança não é mera coincidencia

Que todo mundo tem ideias de "gênio" isso é fato. Claro, tem gente que abusa da "genialidade" e faz umas besteiras dignas de uma ameba. Eu tentei me manter imparcial sobre determinados assuntos neste blog, entre eles futebol.

Quem me conhece sabe que sou corinthiana até o último fio destes cabelos longos e castanhos mas, até eu, no auge da minha paixão não dispararia um sinalizador nem pro alto e nem contra a torcida adversária. É óbvio que ia dar merda.

Quer ver como isso é histórico? Trarei aqui um exemplo, leitor "amadenho". Em 1971, o Deep Purple foi para Montreux, que fica na Suíça, gravar um álbum e na ocasião eles estavam usando um estúdio móvel muito conhecido naqueles tempos chamado, Rolling Stones Mobile Studio. 

Até ai tá tudo certo. Um dia antes de iniciar as gravações rolou um show do Frank Zappa and The Mothers no teatro Cassino Montreux e foi aí que começou a sucessão de desgraça. No meio do solo de sintetizador de “King Kong” um incêndio se iniciou e UM GÊNIO que estava na platéia disparou um sinalizador no teto de rotim. Resultado: um incêndio generalizado que destruiu apenas a estrutura do cassino e TODOS os equipamentos da banda de Zappa. Olha que joia!

A fumaça das chamas se espalhou pelo lago de Genebra, o que deu origem ao nome da música Smoke on the water. A confusão foi tanta que o Deep Purple teve que deixar o hotel que ficava em frente ao cassino e procurar por outro. Por estarem com uma unidade móvel muito cara, acharam melhor não correrem o risco que tudo fosse lambido pelo fogo.

Após alguns dias de procura, acabaram se hospedando no Grand Hotel de Montreux, no qual alguns corredores e escadas se transformaram em um estúdio improvisado. Boa parte do Machine Head foi gravado lá, incluindo Smoke, apesar de esta mesma ter sido escrita depois. De uma grande tragédia saiu algo bom mas, nem sempre isso acontece. 

Portanto, sábios torcedores e por favor, não vamos nos esquecer dos outros "gênios" que soltaram fogos de artifícios no palco da boate Kiss e causaram uma tragédia de grande proporções, parem de inventar moda! A segurança em locais públicos agradece.

Em qual disco você pode achar: Machine Head (1972)


domingo, 3 de março de 2013

As mentiras que as pessoas contam

Quem nunca bebeu demais que atire a primeira pedra. O triste de beber demais é que, via de regra, o dia seguinte é regado a muita água (de coco ou não), dor de cabeça, enjoo e a famosa frase "eu não vou beber nunca mais". É como promessa de ano novo: você sabe que não vai cumprir mas mesmo assim você faz para dar um jeito na ressaca moral.

Ah! Como é oriundo do ser humano mentir não? Dou 1 semana para a promessa cair por terra. E quem não bebe não tem história pra contar (pelo menos não suas e sim alheias). Digo mais, as maiores culturas inúteis  - ou úteis, depende do ponto de vista - e os melhores círculos sociais e bandas notáveis se formam na mesa de bar e regado a bebida.

Taí o Matanza que não me deixa mentir. Quer filosofia de boteco melhor que essa?? Abaixo transcrevo a bela canção que está regendo o meu domingo:

"Eu não bebo mais
Chega de beber conhaque de alcatraz
Gasolina de avião e óleo diesel "num" copo com limão

Eu não bebo mais
Show no Mercy, reign in blood, death rite
Cicuta club soda, gin é foda e Pau pereira nunca mais"

Te garanto que o dia que esse cara compôs essa música a ressaca estava nervosa. Mas, caro leitor deste bloguinho, falarei mais dessa banda que tem um clima de faroeste e arranca risos e te lembra de coisas impublicáveis.

Matanza foi criado para ser uma banda de diversão. Claro, tudo que envolve dinheiro e obrigações fica um pouco sério mas, falar sério o tempo todo enche o saco e até no campo musical é assim. Falar de amor, de desgraça, de morte e de mazelas é bom para uma tarde chuvosa e você olhando com cara de paisagem pela janela. Música inglesa me dá essa sensação de reflexão. Hoje eu não tô pra música inglesa, tô pra ouvir que bom é quando faz mal! Todo mundo gosta e precisa rir.

Veja a ideia das composições e se permita a concordar que é engraçado demais:


"No início era só falação de merda. Era “Eu Não Bebo Mais”, “Ela Roubou Meu Caminhão”, éramos muito isso, muito de verdade pra gente. Bebíamos pra caralho, naquele momento só fazia sentido falar disso. Eu tenho o maior orgulho disso, realmente acho que a gente inventou um estilo, eu não conheço banda que faça country hardcore. Conheço uma porrada de maluco que faz country rock, southern rock… Aquele disco, o “To Hell”, só com músicas do Johnny Cash, é um disco de country hardcore. Tocamos 13 músicas de 13 maneiras diferentes de misturar country com hardcore, não com rock. Aquilo ninguém fez. Se nós tivemos um momento do ápice do country hardcore, é aquele momento. E o mérito é do compositor Donida, que eu considero um maluco brilhante, fora do normal."

Para fechar, só digo uma coisa: Um beijo pra você, que assim como eu, se divertiu horrores no sábado, ensaiando no estúdio, bebendo vodka como se não houvesse amanhã (aham, tá senta lá Cláudia) e está arcando com as consequências disso.  Fica a minha promessa: Eu não bebo mais.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Nada como um dia após o outro, com uma noite bem no meio

Chega um momento da vida em que você estufa o peito, ergue a cabeça e fala: Agora lascou de vez!

Foram dias de luta, sabe? Aquela angústia sem fim, a sensação de "não vai dar tempo", que "tá tudo errado" e que "será um pesadelo" se fez presente durante 2 anos. Tava difícil de enxergar a luz no fim do túnel sem pensar que era um trem vindo em minha direção.

Lembrei de um conselho muito válido de minha mãe em vários momentos, que fez com que me acalmasse nos momentos de desespero. Ela disse "Vivian, nada como um dia após o outro com uma noite bem no meio para que as coisas clareiem". E como é verdade! As vezes precisamos esperar o sol aparecer de novo para ter a serenidade que sua vida, o seu problema, a sua condição precisa. 

Eu amo música! Minha vida se move a base de música! Preciso pensar ouvindo música, preciso lembrar de coisas boas com músicas e, não é diferente quando estou na lona. Quando eu preciso de esperança, eu ouço "Mais uma vez" do Renato Russo.

Ao contrário do que pensam alguns, essa música tem um tempinho. Sua composição foi realizada em conjunto com Flavio Venturini do 14 Bis e foi uma grata surpresa, segundo ele. Transcrevo abaixo uma entrevista que deu, contando a história desta letra: 

"Nesse dia eu estava ensaiando numa das salas do estúdio, tocando uma música inédita. O Renato entrou e pediu para escrever a letra... Eu disse "claro"! Ele escreveu baseado na ideia de que um pai dizia para o filho que o sol voltaria a brilhar depois da tempestade. Eu gostei da ideia, a gente conversou, e ele ficou de me entregar a letra. 
Eu mandei pra ele a base da música e três meses depois ele me entregou a letra. Ele demorou três meses para terminar, ele estava ocupado com a gravação do segundo disco do Legião.
Daí eu o convidei para participar da gravação do 14 Bis e ele participou." 

Feliz ideia de retratar a esperança numa música... Tinha que ser o Renato!

O conselho de mamãe mais uma vez funcionou. O sol brilhou muito ontem! Chorei muito e desta vez foi de alívio, de felicidade, de sensação de dever bem cumprido. Ver o sorriso no rosto de cada formando que representei, as mensagens de carinho de conhecidos (e desconhecimento), do reconhecimento, do agradecimento, nossa, me arrepiou!

Eu não sei se faria tudo de novo. Mas valeu a pena. Valeu a pena... isso me lembra outra música mas isso é outra história.

Para fechar esse ciclo, essa noite mágica e a "ressaca da felicidade" que tenho, termino esse post com uma das verdades da vida: Quem acredita, sempre alcança. Sempre.

Em qual disco você pode achar: Presente (2003) 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A morte do cisne

Sempre ouvi dizer que há hora e lugar para tudo e para todos. Tem quem diga que somos nós mesmos que criamos oportunidades e as destruímos, seja por medo, por falta de vontade, preguiça, por brigas...

Nessas minhas pesquisas para o blog notei que muitas bandas terminam na maioria das vezes por brigas mas, isso é assunto para outro dia, para outra oportunidade, para outro momento.

O fato é que em 1995 Sammy Hagar dava sinais de que deixava o Van Halen. O "gato subiu no telhado" no disco Balance, que tem uma cara mais eu-tenho-moral-pra-fazer-música-instrumental e produtor que é produtor sabe que todo disco precisa de um hit pra decolar. Óbvio que ninguém tinha pensado numa canção de amor (aham, tá, senta lá Cláudia) e o Sr. Eddie Van Halen pediu um final de semana para pensar e ele SÓ aparece com um dos maiores sucessos do grupo, Can't Stop Lovin You. O produtor ficou bem feliz viu? 

O Eddie Van Halen usa uma guitarra Ernie Ball Music Man com captação piezo, o que dá aquela idéia de guitarra elétrica e violão, ao mesmo tempo. Além disso, ele diz que gravou usando um amplificador muito antigo da Fender e que ficou muito bom, obrigada por perguntar.

Um detalhe muito bacana é a menção do nome “Ray”, quase no final da música. O Sammy Hagar diz: “Hey Ray, what you said is true, I Can’t Stop Loving You…”. O tal do Ray é o Ray Charles, que gravou na década de 1960 uma música com o título homônimo (http://www.youtube.com/watch?v=aQXsM1l2wZ8). Segundo informação do Sammy Hagar, a letra seria uma referência ao seu relacionamento com sua ex-esposa, Betsy. Na época da gravação do disco, o casal enfrentava um divórcio traumático para as partes envolvidas e isso estaria afetando, em parte, o relacionamento da banda com o vocalista (principalmente em relação a qualidade das letras escritas pelo Red Rocker e a constantes ausências do mesmo nas sessões de gravação, algo muito reclamado por Eddie Van Halen, Alex Van Halen e Mike Anthony à época).

Trocando em miúdos, acabou o casamento do Sammy Hagar e a sua participação na banda. Faz muita falta  no Van Halen mas ainda bem que ele deixou uma música deste calibre para os órfãos dele.

E hey Sammy, o que você disse é verdade, é difícil parar de amar alguém e não importa o que façam ou digam, você fez toda a diferença no Van Halen!

Em qual disco você pode achar: Balance (1995)


domingo, 20 de janeiro de 2013

A volta dos que não foram

Eu volteeeeeii, voltei para ficaaaaar, por que aquiiii, aqui é meu lugar!!

Ah Deus, que saudades de escrever aqui... Mas a vida é tão louca e a minha então nem se fale e, como resultado, abandonei uma das coisas que mais gostei de ter feito em 2012.

Daí fui vendo as minhas postagens... as visualizações que tive, as cobranças que recebi do tipo "Mas e aí?? Não vai voltar a escrever nunca mais?". Realmente, negligenciei e vi que tudo estava como antes: a vontade de escrever, as pessoas que gostam de ler, tudo! Só estavam aguardando que eu voltasse a digitar enlouquecidamente as palavras que surgiam na minha cabeça.

Penso que o Roberto Carlos quando escreveu "O Portão" teve o mesmo sentimento. O sentimento de voltar para algo bom, que traz conforto, calma, paz... O Axaxá  - esse é o nome do cachorro da composição - conseguia dar a sensação de "lar" ao Roberto.

Abaixo transcrevo um trecho, lindo, que conta a história do herói deste post, o Axaxá


"Na música O Portão, quando meu pai canta "Eu cheguei em frente ao portão / Meu cachorro me sorriu latindo", ele retrata uma cena que de fato acontecia, em nossa casa no Morumbi, onde moramos até o final da década de 70. O cachorro que sorria latindo era o Axaxá, um vira-latão mesmo, um vira-lata autêntico, original, bem peludinho, branco, de porte médio, daqueles de orelhas caídas, o rabo enrolado para cima, em forma de C. Aliás, uma coisa que me faz especialmente bem, nas músicas dele, é retratar as cenas que ele viveu, ou imaginou, ou que alguém viveu. 
Aquela cena acontecia quando ele voltava de shows, de viagens. Nossa casa tinha uma rampa grande, na entrada. Era ali que o Axaxá ficava esperando por ele, atrás do portão. Meu pai chegava de carro, buzinava, ia subindo a rampa e o Axaxá corria atrás, como um louco. Ficava dando voltas em torno do carro, querendo entrar. Quando meu pai descia, ele ficava dando voltas em torno do meu pai, sem pular no peito ou nas pernas do meu pai, mas fazendo festa. E meu pai também fazia a maior festa para o Axaxá. Nós o chamávamos de Xaxá, mas o nome certo era Axaxá, tirado de um livro infantil, que meu pai leu nos tempos de criança, em Cachoeiro de Itapemirim. Axaxá foi o cachorro da minha infância. Foi o cachorro da nossa infância, minha e de minhas irmãs Ana Paula e Luciana. Entre ele e meu pai, existia uma ligação muito forte, uma ligação emocional."Publicado na Revista "Na Poltrona" n° 26, de agosto/2001, por Dudu Braga.

Roberto se separou da esposa, foi morar num hotel e o Axaxá ficou... Ele ouvia a música de Roberto no rádio e uivava junto. Era a saudade que doía e sumia quando ele aparecia para visitar as crianças. Quem é filho de pais separados sabe o que é isso. Eu passei por isso e era bem assim: O Snoopy (meu finado cachorro) enlouquecia quando via meu pai chegando e ficava olhando pra gente com uma cara de "cadê ele??!" que era desanimadora.

Meu blog estava com saudades de mim e eu com saudades dele. Nossa relação é especial, assim como eu tenho com outras coisas que me pertencem. Então eu voltei, para as coisas que eu deixei. Eu voltei.
Em qual disco você pode achar: Roberto Carlos (1974)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Hoje é dia 28, que dia tão feliz!


Má vá que eu abandonei meu blog e não ia escrever nadinha de nada bem nessa data que para mim é sempre uma celebração fantástica: O meu aniversário.
Tá, pode parecer de exibicionismo e egocentrismo sem fim mas fazer o que? Eu adoro comemorar aniversário e fazer festa! Tá na minha essência pessoas que leem esse blog fielmente.

Daí eu quero perguntar a você o seguinte: Sabe qual a melodia mais conhecida em todo o mundo? Sim, resposta correta se você disse "Parabéns a você".

A melodia tem origem na canção "Good Morning to All" ("Bom dia a todos"), das irmãs e professoras norte-americanas do Kentucky, Mildred e Patricia Smith Hill, que resolveram compor uma canção para as crianças cantarem na entrada da escola.Era acompanhada pela repetição do título quatro vezes. Isto ocorreu no ano de 1874, ou seja, é velho pra caramba!

As duas registraram a composição em 1893, até que em 1923 a composição foi publicada num livro de Robert Coleman, tendo conservado a melodia e alterado o verso para Happy Birthday to You" ("Feliz Aniversário a Você"), versão que rapidamente se popularizou. Em 1933 Jessica Hill, irmã das verdadeiras autoras, ingressou na justiça reivindicando os direitos autorais, saindo vitoriosa.

Mas o legal mesmo é como chegou ao Brasil. Acreditem ou não mas a música era cantanda em inglês. Daí, o Almirante, da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, organizou em 1942 um concurso para escolher uma letra que casasse com a melodia de "Happy Birthday To You". Dentre cerca de 5 mil participantes, a vencedora escolhida pelo júri composto por imortais da Academia Brasileira de Letras foi Bertha Celeste Homem de Mello, paulista de Pindamonhangaba. Bertha, até a morte, em 1999, fazia questão de que as pessoas cantassem a letra do jeito que ela escreveu, como no excerto abaixo:
Parabéns a você,
nesta data querida,
muita felicidade,
muitos anos de vida

Parabéns a você
nesta data querida
muita felicidade,
muitos anos de vida!


Seguido do bordão brasileiro descrito na sessão seguinte.
Em alguns locais pode ser adicionalmente cantado:
Hoje o/a <nome> faz <idade> anos
Porque Deus assim quis
O que mais desejamos
É que seja feliz!

Ou:

O(a) <nome> faz anos,
O azar é só dele(a),
Cada ano que passa,
Ele(a) fica mais velho(a).

Uma das possíveis origens para este bordão é o ambiente acadêmico da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (tinha que ser advogado né?), cujos estudantes eram convidados para festas de aniversário e utilizavam os seus bordões de costume para animá-las. O bordão é uma colagem de diversos outros bordões usados pelos estudantes, como pic-pic referindo-se a um dos estudantes que mantinha consigo uma tesoura para aparar a barba e o bigode e rá-tim-bum que teria se originado do nome Timbum de um rajá indiano que teria visitado a faculdade.

Eu quero aqui deixar registrado que a música tem um dos desejos mais bacana que um amigo pode fazer a outro: muita felicidade e muitos anos de vida!Então, meus amigos que me desejaram esse bem precioso, eu só tenho a dizer MUITO OBRIGADA e que um anjo passe e diga amém. Minha vida seria totalmente sem sentido se eu não tivesse vocês.

Beijo grande




terça-feira, 23 de outubro de 2012

Rumo ao início do fim

Olá leitores deste singelo blog!

Quero muito dividir algo com vocês... Não sei se vocês sabem mas a autora deste é uma graduanda do curso de Direito e membro da Comissão de Formatura. Sim, é cansativo e ouso a dizer que se assemelha a uma maratona. A diferença que a minha maratona já dura 5 anos.

Porém, como qualquer prova de resistência, chegar ao final do seu trajeto é uma sensação mágica. Me dei conta disto no último final de semana, onde tive a nítida sensação que tá acabando mesmo. Como se o contador estivesse chegando aos 45 minutos do 2º tempo, como se o gongo fosse soar a qualquer momento ou como se eu já conseguisse avistar a bandeira quadriculada ao longe.

Quando fui apresentar a proposta da formatura aos alunos, levei um vídeo que tem uma canção que retrata a sensação de ser vencedor. Quem assistiu o vídeo leu palavras de um futuro bom, mas foi a música que embalou e deu motivação, aquela motivação que os atletas têm quando estão chegando ao fim.

Tina Turner homenageou alguns ícones do esporte com a música "The Best", sendo tema para três atletas: o lendário boxeador Chris Eubank (que fez uma aparição surpresa ao lado de Tina, no palco, durante a entrega do MOBO Awards), o piloto brasileiro de F1 Ayrton Senna (que subiu ao palco para abraçar Tina em Adelaide, na Austrália, setembro de 1993, enquanto ela o chamava de "The Best", ou seja, "o melhor"), e a lendária tenista Martina Navrotilova. A canção também promoveu a campanha da competição profissional de futebol na Austrália. A propaganda trouxe muitos interessados aos jogos e, então, Tina foi chamada para cantar o tema na final da competição, no mesmo ano de 1993. 

Assim, como fez a Tina Turner, fica aqui minha pequena e modesta homenagem aos "The Best" que eu conheço: meus colegas que se formam, assim como meus amigos que depois de tantos trancos e barrancos provaram que sim, somos os melhores e é só o começo de uma bela carreira. Vocês são demais!

Em qual disco você pode achar: Foreign Affair (1989)